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Sandra Teschner

Diversidade não é adversidade

Participei  do  painel  de mercado editorial, no Fashion Meeting em São Paulo, realizado pela Faculdade Belas Artes. Lá, me  deparei com um questionamento interessante da plateia sobre o fator “Sem  Gênero”  e o quanto isso afeta o conteúdo das publicações na Profashional Editora e, principalmente, o que penso disso tudo. A resposta fluiu com a naturalidade dos que são, não “estão”, ou encontram-se em “estado de” porque é moda. E a conexão das minhas palavras são fundamentadas em fatos, acompanhe comigo.

Desde a primeira edição da revista Profashional, em janeiro de 2003, e ao longo de todos esses anos, um componente nunca nos faltou: A multiplicidade! De pessoas e suas características, gostos, condições físicas, sociais, suas raças, credos, idades. Ao longo dos anos, incentivamos também nossos parceiros a ampliarem seus pontos de vista, para que não estejam restrito “àquela velha opinião formada sobre tudo”. Quando publicamos uma revista em quadrinhos no ano de 2004, a Tripliquadrinhos, a personagem infantil apelidada de peixinho, era uma criança cadeirante, a Vic, baseada  no comportamento e na condição específica de uma linda menina, nadadora, real. Modelos plus size e a beleza além do tamanho, editoriais de moda com pessoas amputadas, lindas por dentro e por fora, crianças e adultos portadores de Síndrome de Down, que fazem bonito nas passarelas, ou em shootings, desde que tenham oportunidade de mostrar isso. Deficientes visuais ou auditivos, pessoas com nanismo. Negro, branco, amarelo, colorido. Com gênero, sem gênero. Evangélico, católico, espírita. Padre Fabio de Melo não era nenhuma celebridade quando foi nossa capa em 2008. Instagram não existia, quiçá Snapchat. Lembro-me, não sem um sorriso estampado, das tantas vezes que fui homenageada por grupos da terceira idade, como forma de reconhecimento às tantas ações que já fizemos valorizando a “new age”. Dona Gabriela Pascolato foi uma de nossas primeiras capas. Iris Apfel e minha avó Conceição, profashionais de carteirinha. Sempre participamos ativamente em projetos que beneficiem os “diversos” por meio de parcerias, apoios, patrocínios, gerando valor essencial e físico (próteses, cadeiras de rodas, cirurgias, etc.) e, muito além destes, participando do fortalecimento da autoestima de tantas pessoas.

O formato dos nossos dias não são adaptados para os menos iguais, ficando tantas vezes a cargo deles mesmos proporcionarem esta adaptação. Da altura de um corrimão para um portador de nanismo, aos degraus para cadeirantes, mas mais difícil talvez seja o julgamento alheio pela aparência física diversa, as piadas, os curiosos, as discriminações na vida social e profissional. Já tendo virado figurinha carimbada na moda, o link em artesanato e design como forma de sobrevivência social e cultural, já fez parte de nossas primeiras edições, há mais de uma década, como foi com o projeto Fábrica MorumbiFashion (criado por nós), que teve um papel de grande importância na formação de novos estilistas que levaram suas experiências acadêmicas para comunidades de artesãos, e também aprenderam técnicas centenárias com eles, promovendo um pool de pertinência de informações úteis.

Inclusão é para se viver a todo instante e, em minha opinião, se você trabalha em comunicação, tem o dever de mostrar, contar, propor a inserção deste rico conteúdo no dia a dia das pessoas. E sabe como se faz isso? INCLUINDO. É vendo, partilhando, convivendo que se cria um todo coeso. Não mostramos pautas com bailarinas amputadas, ou “no gender” para nos sentir confortavelmente oportunos com o modismo no segmento, inserimos hoje porque é o que somos, e sempre fomos, um bando de diferentes em aceitação contínua e propagação dessa pluralidade. Uns mais dessemelhantes, outros menos. Vale ainda lembrar que há um mercado de moda para todos esses públicos que permanece obsoleto por ignorância, me corrijo, pela falta de “saber”, pelo déficit em aplicabilidade de dados conhecidos e que uma vez explorados, beneficiarão a todos.

A beleza na desigualdade é mais rara, aguça o sexto sentido, faz você enxergar com o terceiro olho. Ou não. Mas o direito de escolha, este, está sempre reservado a quem lê profashional. E é para lá que vamos

Script - Revista Profashional