11 5051-4084 | comercial@profashional.com

Matéria de capa

Matéria de capa - Revista Profashional

THAILA AYALA

THAILA AYALA É DAQUELAS PESSOAS TÃO VERDADEIRAS E TRANSPARENTES QUE UM BATE-PAPO VIRA DEBATE, TERAPIA E ACOMPANHA RISADAS E LÁGRIMAS. ELA É SINGULAR E É POR ISSO QUE JÁ CONQUISTOU O BRASIL E ESTÁ CONQUISTANDO O MUNDO - Por: Drica Rosa

MIND INFLUENCERS - Revista Profashional

Nome é forte para combinar com a personalidade que é daquelas de falar o que pensam, discutir qualquer assunto e levantar bandeiras que muitos não querem fazer por medo de perder likes ou seguidores em redes sociais. Mas com ela o caminho é totalmente contrário; Thaila é daquelas que sabe a importância de usar sua imagem para atrair a atenção das pessoas para uma determinada causa. Ela já se revoltou e postou sobre adoção de animais, sobre a poluição dos oceanos, os agrotóxicos nos alimentos, além de campanha em prol de crianças doentes. Como ela mesma diz, ela não está nem aí se “bagunçará” sua timeline, o que ela quer é gritar para o mundo quando algum assunto precisa de visibilidade. Nascida em Presidente Prudente, interior de São Paulo, ainda mantém algumas características do sotaque típico da região e carrega consigo a simplicidade. Thaila é uma atriz com carreira nacional e internacional, fotografa para importantes grifes mundiais, é referência de estilo e tem um currículo invejável, que está prestes a aumentar, já que tem filmes para estrear e outros engatilhados para rodar. Tudo isso daria certo aval para que ela fosse uma pessoa mais difícil de lidar. Mas, não! Ela faz questão de ser “gente como a gente” e desde o início do nosso convite para estampar esta edição comemorativa de 15 anos, ela mandou um sonoro e direto SIM e tratou tudo conosco, da forma mais tranquila possível. Ok, poderia ser só impressão a distância, mas pessoalmente consegue ser ainda mais querida e foi assim no dia de nossas fotos. Thaila chegou acompanhada de seu amigo e fotógrafo André Nicolau e falou sobre diversos assuntos do início ao fim. Fato é que acertamos na escolha de quem estaria em nossa edição nº 115!

A ESCOLHA PERFEITA

Escolher uma personalidade para estampar a nossa capa parecia ser uma tarefa difícil, ou no mínimo demorada. Mas o nome Thaila Ayala surgiu em meio a alguns valores que a Profashional tem desde sua edição número zero. Queríamos alguém que falasse o que pensa, que fosse engajada, linda, com estilo próprio, que tivesse um lado humano em nível máximo e soubesse que fazer o bem é melhor do que qualquer outra coisa nesta vida! Bingo! Não conseguimos pensar em mais nenhum nome depois que o dela surgiu. Decidido o “quem”, não queríamos somente falar o que todos já sabem, queríamos contar mais e foi aí que ficamos sabendo do projeto Cidades Invisíveis, contado pela Thaila, madrinha desde o início. O Cidades Invisíveis foi criado em Florianópolis e tem como objetivo ajudar comunidades extremamente carentes da região. Assim que Thaila nos contou sobre ele, amamos e resolvemos que tínhamos de apoiar também essa iniciativa (e vocês saberão mais sobre o projeto nesta edição). Então, já tínhamos ali uma mulher linda, inteligente, cheia de estilo na hora de se vestir, mas extremamente preocupada com causas sociais e que nos apresentou um projeto lindo que precisa de visibilidade. Quer mais? Fique tranquilo, pois tem!

MIND INFLUENCERS - Revista Profashional

ENCONTRO DE LUZ

Nesse lado social que ela exerce, Thaila visitou um hospital e conheceu algumas crianças com câncer, entre elas, uma pequena especial: a doce Mel. Isso foi há cinco anos e ela conta que foi amor à primeira vista (você lerá mais sobre esse encontro nas próximas páginas). Ainda sem nossos mundos terem se cruzado, Mel também cruzou o caminho da Profashional, dois anos após esse encontro entre ela e a atriz. De forma resumida e rápida, Mel se tornou afilhada da Sandra Teschner, nossa publisher, e também se tornou uma das melhores amigas de Thaila. Não havia hora mais certa para todos esses caminhos se cruzarem: Mel queria um editorial seu nesta edição (e teve), Thaila quando soube de todo esse link, topou ser nossa capa e a Profashional fez tudo conforme as duas queriam, pois o combinado era fazer um barulho enorme com esta edição que você tem em mãos. Alguns “porquês” são difíceis de entender e a doce Mel partiu um pouco antes de finalizarmos nossas páginas. Mas, como diz Thaila, ela era luz e cumpriu sua missão. A nossa é escolher pessoas como Thaila Ayala e mostrar ao mundo que entre tantos fakes, seja de pessoas, news, fotos, etc., existem aquelas que são reais e que fazem tudo valer à pena!

MIND INFLUENCERS - Revista Profashional

"...desde o início do nosso convite para estampar esta edição comemorativa de 15 anos, ela mandou um sonoro e direto SIM..."

Bem-vinda ao nosso mundo Thaila, e obrigada pelo bate-papo, por cada clique e por todas as palavras!

Revista Profashional: Vamos começar voltando no tempo. São 15 anos de Profashional e queria falar dos seus 15 anos. Quais eram suas expectativas nessa idade?

Thaila Ayala: Quando eu tinha 15 anos, estava me mudando para São Paulo, fugida de casa e tinha um mundo se abrindo para mim. Sai de Presidente Prudente com um monte de sonhos, mas expectativa zero. Vim para São Paulo morar de favor na casa de amigos, estava começando a modelar, tendo a chance de estar numa cidade grande. Tinha muito medo, porque eu não conhecia ninguém na cidade e nunca tinha visto São Paulo na minha vida, mas arrisquei mesmo assim e acho que posso dizer que meus 15 anos foram os mais importantes e marcantes da minha vida.

R.P.: Quais foram seus divisores de água até hoje?

T.A.: Além dos meus 15 anos, que falei anteriormente, minha outra grande mudança foi aos 28 anos, em 2014. Eu estava casada e me divorciei, deixei trabalho, novamente a família e amigos e fui morar em Nova York. Fui investir em mim e estudar inglês, atuação e, principalmente, me reencontrar, me reconectar e tudo isto aconteceu de forma brilhante. Realmente existe a Thaila antes e depois dos 15 anos e a Thaila antes e depois dos 28. Posso dizer que sou movida a mudanças e desafios!

R.P.: Há um tempo, você postou “Graças a Deus não somos o que éramos ontem”. O que hoje está melhor em você do que ontem e o que deseja estar melhor amanhã?

T.A.: Acho que cada dia eu acordo com a meta de ser uma pessoa melhor e olho para o dia anterior para ver o que fiz de errado, onde eu poderia ter agido diferente, ter a calma de perceber o que eu não quero cometer de novo, onde posso ter mais paciência e por aí vai. Somos humanos e vamos sempre errar, mas temos de ter erros novos e não repetir os mesmos que já cometemos.

R.P.: Desde o início, levantamos a bandeira da diversidade e inclusão e você faz isto constantemente, dando espaço às causas que precisam ser vistas. Qual é a importância de chamar a atenção das pessoas para esses assuntos?

T.A.: As pessoas não querem falar de assuntos que possam levantar polêmicas, nada que faça perder likes e seguidores, porque dão muita importância a isso. E eu acho que as redes sociais estão aí para conectar as pessoas e vejo que isto está perdendo o sentido do propósito inicial. Faço questão de falar sobre certos assuntos porque acredito ser o melhor a fazer. Eu sou movida a isso desde pequena. Em Prudente, tinha uma gincana no colégio para arrecadar produtos de higiene ou alimentos e eu sempre ganhava, porque eu vim de um bairro muito pobre e já tive vizinho que entrou em casa para roubar arroz. Nunca faltou comida em casa, mas faltava muita coisa e vi a necessidade de perto. Então, cresci sabendo a importância de olhar para o outro. E sei que não precisa dar uma casa para alguém, temos como ajudar de diversas formas e isto segue em mim. Fazer o bem é uma coisa que me alimenta!

R.P.: Estamos numa era de muitas fakes, mas enxergamos você cidadã, sem estratégias, fazendo e falando sobre o que acredita. Como se expor e lidar com os haters que existem na internet?

T.A.: A real é que se eu for realmente pensar em estratégia e que hoje em dia muitos da classe artística têm, a minha estratégia é de perda. Porque numa sociedade em que a gente vive do politicamente correto, onde as pessoas não expõem as coisas de formas naturais, onde se pensa em likes e seguidores, então se for falar em estratégia, a minha é de me ferrar. Porque eu me exponho muito. Eu fiz um filme há pouco (Coração de Cowboy) e, na época das filmagens, eu me posicionei e disse que era contra as vaquejadas e, hoje, com o lançamento do filme, há algumas pessoas querendo o boicote do filme por conta do que eu disse. Mas prefiro sempre falar o que acho certo e não me esconder.

R.P.: Você apoia muitos projetos, certo? Vamos falar do Cidades Invisíveis. Como o conheceu e qual é o seu papel nele?

T.A.: Conheci no primeiro ano deles. O Samuel (criador do projeto) chegou num evento de moda em Floripa e me apresentou. Ele começou fazendo um trabalho de fotografia numa comunidade, a Frei Damião, uma das mais carentes e ele quis fazer algo para ajudar: transformou arte em camiseta e começou a vender para reverter o dinheiro. Então, desde o início, estou com eles me doando de diversas formas: doei a minha pessoa, faço doação de dinheiro, crio projetos dentro do projeto, já fizemos ruas de asfalto onde não havia, levei aquelas crianças pela primeira vez ao cinema, o que foi incrível, já fiz leilão com eles para reverter a renda ao projeto. Enfim, fazemos muitas coisas juntos.

R.P.: Como as pessoas podem ajudar?

T.A.: Da forma como se sentirem à vontade, desde entrando em contato com o projeto e visitar, porque só a presença e o carinho com os moradores já é uma ajuda, até financeiramente, comprando peças da coleção e as peças são muito iradas, lindas. Coleções incríveis que estão à venda no site. Enfim, comprando, doando dinheiro, roupas, matéria-prima, etc. Agora, estamos com o projeto Bonsai para ensinar às mulheres da comunidade a bordar e desenvolver peças. Basta entrar no site que você poderá ajudar. (projetocidadesinvisiveis.com.br)

R.P.: Vi que você está com um novo site a caminho. O que teremos lá?

T.A.: Eu nunca tive um site e, recentemente, tive uma vontade de ter um canal com todo o meu trabalho e, lá dentro, terei uma parte de comunicação, tipo um blog, que uma vez por mês eu terei um espaço para falar de projetos e mostrar casos e pessoas que precisam de ajuda e tentar envolver as pessoas nisso. Junto com o site, virá um aplicativo, que será como um Instagram mais próximo, para estreitar ainda mais a relação com o meu público, fazendo encontro com fãs, etc. E hoje, às vezes por conta dos haters, a gente deixa de fazer algumas coisas. Então, meu app será para as pessoas que realmente curtem o meu trabalho e assim terei mais uma forma de me comunicar com elas.

R.P.: Falando sobre moda, já que ela está no nosso DNA desde a primeira edição, como consegue criar um estilo tão próprio, mesclando tantas tendências?

T.A: Respeito muito as revistas de moda, acho que fazem um trabalho brilhante, mas eu não procuro alguma tendência específica. Gosto de matérias interessantes, mas não sou muito de conferir as tendências do último desfile ou usar exatamente o que acabou de sair. Mas amo me vestir bem, porque acho que a moda é uma forma de se expressar. O dia em que não estou me sentindo bem, coloco um preto e vou; se estou me sentindo o máximo, visto algo colorido, que não tenha usado muito... Tudo é humor e personalidade e acho que quando você se sente livre para vestir o que quer e quando quer, acho que qualquer pessoa do mundo conseguirá ter um estilo próprio e se vestir bem.

R.P.: E sobre seus filmes e projetos na TV e no cinema... O que está bem fresco e o que está por vir?

T.A: Estou filmando a série do Netflix “Coisa mais linda”; há dois filmes saindo, “Coração de Cowboy” que acabou de estrear, e “Hotel Delire” que será lançado em breve. Lá fora, tenho dois filmes que serão lançados, em que fiz participações: “Zerovile”, com Megan Fox, James Franco e uma galera bem legal, e o “The Pretenders”, também com a direção do James. E assim que acabar a série, começo a rodar um filme que se chama “O Garoto”. Por enquanto, é isso!

R.P.: E já que estamos numa edição comemorativa, nos conte o que para você é ser Profashional.

T.A: Para mim, ser Profashional é você lutar pelo que acredita, ser livre. Liberdade boa cabe muito nisso: ser livre de perseguição, de fakes, haters, livre de ser movido pelo outro, pelo que o outro acha, pelo que o outro quer... E ao mesmo tempo ser movido pelo outro, no bom sentido, pelo amor, pelo respeito, respeitar e saber ser respeitado.

R.P.: E nada melhor do que fechar falando de amor. Então, nos diga como foi seu encontro com a pequena Mel e o que ela te trouxe.

T.A.: Conhecer a Mel foi histórico e inesperado... Fui para aquele centro médico e seria a minha primeira visita nas circunstâncias de crianças com câncer; então fui com medo, me questionando o que faria lá. Essas crianças não me conhecem, o que vou falar? Não tenho propriedade para falar nada. Fui cheia de questionamentos, achando que seria fraca e não passaria força. Lembro que quando cheguei, havia uma porta automática e uma imagem do Super-Homem e do Batman; consigo me lembrar dos detalhes. Quando aquela porta abriu, havia diversas crianças na ala e entre elas, a Mel, ela era luz! A Mel era diferente, ela era um raio. Estava completamente careca, debilitada, magrinha e com um sorriso no rosto, uma disponibilidade, um amor e um batom na boca. Ela brincava e me dizia que eu perdia para ela, porque ali ela podia usar diversas cores de cabelo e tamanhos e eu, não! Aquilo foi um encontro de força para mim. A única justificativa para a partida dela tão cedo é que ela tinha uma missão e a cumpriu. Ainda estou tentando achar respostas, porque é muito difícil, mas, para mim, a Mel foi luz, foi força e ela me ensinou muito sobre amor e doação e tempo... Quantas vezes eu não tive tempo para ela e quantas vezes a gente não tem tempo para as coisas importantes da vida... Ela veio para ensinar e espero aprender sempre com ela e que a lição dela tenha ficado em mim e nunca passe. Ela veio só para dar amor e espero ter feito o mesmo com ela. Ela só foi amor e luz na minha vida!

FOTO: ANDRÉ NICOLAU | STYLING: MICHAEL VENDOLA
Beleza: MARKITO COSTA | Assistente:LEA ALVES
Produção de moda: LUELE FURQUIM E MATEUS ANDRADE
Tratamento de imagem: SANDRO IUNG