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Matéria de capa

Matéria de capa - Revista Profashional

YAN ACIOLI

BRASILIENSE, MAS APAIXONADO PELO AGITO DE SÃO PAULO, O FASHION STYLIST YAN ACIOLI É UM DOS POUCOS QUE FAZ O SEXY E O CHIQUE CAMINHAREM LADO A LADO EM PERFEITA HARMONIA. ELE ARRASA! Por: Drica Rosa

Yan Acioli - Revista Profashional

Yan Acioli - Revista Profashional

Yan Acioli - Revista Profashional

A MESMA VONTADE QUE EU TENHO DE QUE A CLIENTE SE REINVENTE, EU TENHO DE TER NA HORA DE REINVENTAR O MEU OLHAR. MAS PREFIRO ACREDITAR NO “SEJA FELIZ COM O QUE VOCÊ ESTÁ VENDO”.

A história de Yan é intensa, assim como ele! Se fosse roteiro de cinema, se passaria em uma linda praia, com céu ensolarado; o elenco seria de beldades bronzeadas; e a trilha sonora, composta pela cantora Rihanna, sua paixão assumida. Mas como isso aqui é vida real, vamos falar desse homem nascido em Brasília, que sonhava ser cirurgião plástico – e podemos dizer que o sonho tornouse realidade, já que há 12 anos transforma mulheres, valorizando sua beleza, deixando-as apaixonadas pela imagem que veem no espelho.

A atração pela estética vem desde cedo, mas foi só no último ano da faculdade de Propaganda e Marketing que teve contato de perto com o mundo da moda. O trabalho de conclusão de curso foi um filme sobre uma modelo e ele mergulhou de cabeça na produção, mostrando o dia a dia de uma amiga.

Yan Acioli - Revista Profashional

Pronto! Depois disso, Yan Acioli tinha certeza de que seu lugar era no mundo fashion, fazendo aflorar a musa interior de cada mulher. Hoje, ele é personal stylist da apresentadora Sabrina Sato, da cantora Claudia Leitte e tem em seu currículo clientes, como Luciano Huck, Caroline Celico, Juliana Paes, entre outros.

Para esta edição, fizemos o convite para ser o nosso cover boy e ele, além de aceitar imediatamente, nos contou que era sua primeira capa produzida (as anteriores foram feitas com fotos de divulgação): “Estou nervoso com esse ensaio. É a primeira vez que fotografo para a capa de uma revista e a primeira vez a gente nunca esquece”, brinca.

Então, antes dos cliques que o colocaram num mood western moderno, conversamos com Yan e descobrimos um cara gente boníssima, bom de papo, inteligente e apaixonado pelo que faz. Enquanto rolava o shooting, Yan nos disse que era uma honra estar em nossa primeira página. Querido, pode ter certeza de que a honra é nossa!

Profashional: Você fez faculdade de Publicidade, certo?! Como aconteceu essa transição para a moda?

Yan Acioli: Venho de uma família 100% de funcionários públicos. Meus pais são jornalistas, tenho mais três tios jornalistas e um tio advogado e eu não me identificava com isso, mas não sabia o que queria ser. Minha mãe se separou e casou-se novamente, com um publicitário, na época em que a publicidade era o curso do momento. O via criando e fazendo as campanhas e quis isto para mim. No último ano, a minha escolha no trabalho de conclusão de curso foi um filme no qual eu contava o dia a dia de uma grande amiga modelo, Claudia Ramalho. Ela morou comigo por dois meses e eu registrei tudo. O filme foi um sucesso e eu tomei gosto pela moda, mas eu sabia que não queria ser estilista, eu não sei desenhar, mas a parte de construir uma imagem me fascinava.

EXISTE UMA PALAVRA QUE DEFINE PRATICAMENTE TUDO: SENSIBILIDADE. EU TENHO DE ACORDAR DIARIAMENTE DISPOSTO A ENTENDER QUE A CLIENTE ESTÁ COM VONTADE DE SAIR SUPER SEXY DE CASA, MAS AMANHÃ ELA VAI QUERER PASSAR DESPERCEBIDA.

Consegui convencer minha mãe de que eu precisava vir para São Paulo fazer um curso de produção de moda, pois em Brasília não tinha e ela me perguntou “o que um produtor de moda faz?”. A minha resposta foi imediata: “Não sei, mas eu vou lá descobrir e te conto”. Foi aí que vim para cá. Eu tinha quatro meses para fazer dar certo, os três do curso e um que minha mãe me “deu”. Cheguei aqui em abril de 2005, conheci a Sabrina um mês depois, e nunca mais nos largamos.

P.: O trabalho do stylist não é algo tão novo, mas a maior parte da população enxerga somente o glamour ou não sabe exatamente o que um “fashion stylist” faz. Por quê?

Y.A.: É legal você falar isso, pois realmente essa é a realidade. Eu lembro que quando fui renovar meu passaporte, há alguns anos, estava preenchendo a ficha e, na lacuna da profissão, havia inúmeras, como azulejista, e não tinha a minha profissão; o que chegava mais perto de um produtor de moda era fotógrafo e foi isto que coloquei. Então, hoje, faço questão de divulgar o trabalho e explicar como ele funciona. E de um tempo para cá, com a seriedade e o tesão que faço meu trabalho, eu virei uma marca e, hoje, as empresas me contratam para fazer um lançamento de uma coleção, para atender clientes durante uma tarde de eventos, me contratam para vestir modelos, etc. E com isso, eu consigo passar esse lado sério do trabalho.

P.: O seu trabalho está em constante transformação, pois, além da moda, você tem de alinhar as escolhas com o momento da pessoa, humor, etc. Como são feitas essas análises?

Y.A.: Existe uma palavra que define praticamente tudo: sensibilidade. Eu tenho de acordar diariamente disposto a entender que a cliente está com vontade de sair super sexy de casa, mas amanhã ela vai querer passar despercebida. Não adianta só ser antenado ou só ter dinheiro. Você tem de fazer esse estudo completo da pessoa, pois só assim terá verdade naquilo que está fazendo. Se você viver só de moda, fica muito superficial e vejo que o mundo está acordando para isso. Hoje, um casting apresenta todas as pessoas, como modelos com vitiligo, albinas, loiras, negras, etc. Você vê um Ricardo Tisci fazendo um desfile street wear mais desejado que uma alta costura. A moda mudou! Gisele é quem é pela personalidade e pela capacidade de se transformar. Então, tenho de pescar, a cada dia, como está a minha cliente para poder ficar em constante transformação.

P.: E essas mudanças, surgem de repente?

Y.A.: Depende. Por exemplo: trabalho com a Sabrina há 11 anos; se ela corta o cabelo ou pinta, a gente muda o guarda-roupa inteiro. Não é jogar tudo fora, mas a forma de criar e dela se vestir é reinventada. Há oito anos, ela fez uma campanha em que cortou uma franja na raiz e dissemos: “Vamos estudar burlesco e apostar nisso”. É um trabalho full time mesmo, de consultas às 3 ou 4 da manhã (risos).

P.: É um trabalho que cria um laço muito forte com a cliente. Como você faz para separar o pessoal do profissional?

Y.A: Eu sempre digo: é um namoro. Se pego um cliente, precisa ter um estalo e um encanto dos dois lados. Caso contrário, não dará certo. E separar não é fácil, pois a gente fica muito amigo mesmo. Mas eu sempre falo para a minha equipe que nada justifica uma falta de profissionalismo. Então, se tem de montar um look ou buscar peças, isto precisa vir em primeiro lugar. Nunca a gente poderá falar que não levou uma peça e achar que ficará tudo bem porque somos amigos, nunca! A gente viaja junto, faz festas juntos, mas o trabalho vem em primeiro lugar!

EXISTE UMA PALAVRA QUE DEFINE PRATICAMENTE TUDO: SENSIBILIDADE. EU TENHO DE ACORDAR DIARIAMENTE DISPOSTO A ENTENDER QUE A CLIENTE ESTÁ COM VONTADE DE SAIR SUPER SEXY DE CASA, MAS AMANHÃ ELA VAI QUERER PASSAR DESPERCEBIDA.

P:. Existe uma regra do que pode e o que não pode usar?

Y.A.: Eu não acredito nisso. Falando de tendência, é bacana saber o que está acontecendo. Eu prefiro mil vezes mulheres usando salto alto, mas de uns tempos para cá, eu tenho gostado bastante de mulheres usando tênis. A mesma vontade que eu tenho de que a cliente se reinvente, eu tenho de ter na hora de reinventar o meu olhar. Mas prefiro acreditar no “seja feliz com o que você está vendo”. Existem coisas que já produzi, que não faria de novo? Existem, claro! Mas se você me perguntar se eu já produzi uma mulher e sai insatisfeito ou com algum detalhe que não me agradou muito, eu posso afirmar: Nunca! Sempre a história que a gente estava contando na roupa, pelo menos eu e a mulher, estávamos acreditando.

P:. Você disse que já vestiu 99% das brasileiras que gostaria. E o que falta na sua lista “wish clientes”?

Y.A.: Com certeza, a Rihanna. Eu sou apaixonado por ela e tive a sorte de encontrá-la duas vezes. Numa delas, ficamos por quatro horas na mesma loja em Miami e eu consegui conversar com ela e falar o quanto servia de inspiração para o meu trabalho, por conta de sua ousadia. Ela não se leva a sério e experimenta demais. E eu tento sempre fazer isso no meu cotidiano.

P.: E se você fosse vesti-la, o que escolheria?

Y.A.: Nossa! Primeiro que eu não iria dormir (risos). Quando eu vesti a Ivete Sangalo pela primeira vez, passei a noite acordado, olhando a peça que escolhi. A primeira reunião que tive com ela foi via Facetime, e a encontrei somente no camarim do Esquenta, na hora de vesti-la. Se acontecesse com a Rihanna, eu não sei o que faria. Primeiro, muita insônia, mas acho que recorreria para o Henrique Filho, que faz nossas fantasias de carnaval. Faria algo bem carnavalesco.

P.: As redes sociais são vitrines para o seu trabalho. Como encara os “haters”?

Y.A.: Eu acho que quem me segue, além de gostar do meu trabalho, consegue entender quem eu sou, já que mostro trabalho, minhas férias, amigos, etc. Até para paquerar, as pessoas começam a mensagem dizendo “com todo o respeito”. Para mim, essa era “haters” já foi pior. Aprendi muito com minha equipe e com terapia. Você nunca vai agradar a todo mundo e tem direito de postar a foto que quiser. Como disse a Patricia Bonaldi uma vez, a pessoa pode falar mal de você dentro da “casa” dela e não da sua. Então, eu não admito que venha na minha página falar mal do meu trabalho ou da minha vida. Neste caso, me vejo no direito de bloquear e deletar o comentário, para não virar um fórum de discussão. Você pode até achar a roupa de alguém feia, mas aquilo foi pensado: um estilista fez aquela roupa e pessoas escolheram vesti-la. Então, deve haver respeito! Quero que meu Instagram seja um portal de imagens bonitas, além de ser uma vitrine do meu trabalho. É lá que eu mostro os créditos das peças que eu uso e todas as minhas referências.

P.: Para você, que é conectado ao mundo fashion na máxima potência, o que é ser Profashional?

Y.A.: No meu universo, ser Profashional é ousar e ter a capacidade de se reinventar, sem deixar de ser você. Afinal, a graça da moda é brincar e não ter medo de ser várias pessoas.

FOTO FRED OTHERO / STYLING JULIA MORAES / BELEZA MAURO MARCOS (AMUSE-MENT) COM PRODUTOS URBAN DECAY (MAKEUP) E LOWELL (CABELOS) / DIREÇÃO-GERAL SANDRA TESCHNER